domingo, 28 de dezembro de 2008

Moinhos






Geralmente, em todas as aldeias transmontanas existem moinhos. A freguesia de Vila Cova tal como outras freguesias vizinhas não foi excepção. Outrora, estes eram cobertos de colmo e hoje alguns nem sequer têm cobertura, devido ao abandono a que estão expostos. Alguns destes moinhos, falta-lhes também a mó que porventura andará a servir de adorno nalguma casa particular. Graças a esta pedra, o milho era transformado em farinha para depois se fazer o pão, tão necessário e indispensável para a subsistência das famílias. A freguesia de Vila Cova não foi excepção, e sabe-se que no século XVIII, mais precisamente em 1758, época esta em que temos à frente dos designos da nação o rei D. José I, apelidado de “O Reformador”, sendo o seu reinado fruto do governo do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Ficando este mais precisamente conhecido na história por Marquês de Pombal. Esta freguesia nesta época segundo as Memórias Paroquiais já possui-a seis moinhos. No meio desta aldeia passava um regato com uma ponte de pau e neste mesmo regato havia “6 moinhos para o povo de Villa Cova moer o seu pam, quazi todos são de erdeiros, somente ham dois de maquia”. Quer isto dizer que dos seis moinhos que existiam apenas dois, é que não pertenciam às mesmas famílias visto que os outros passavam de pais para filhos, ou seja eram uma herança. Sabe-se também, segundo fontes orais que posteriormente na aldeia de Mascoselo, aldeia esta que forma com Vila Cova as duas únicas povoações da freguesia de Sam Thiago de Villa Cova, que por volta de 1930 ou mais precisamente há setenta e oito anos foi construído por um morador da aldeia, Sr. António Machado, um pequenino moinho, de dimensões muito reduzidas que daria apenas para remediar a sua própria família. Em suma, a vida dos moradores desta freguesia sempre dependeu da agricultura, da criação de animais, da extracção do ferro, associadas estas actividades à necessidade que o homem sempre teve ao longo da história de confeccionar os seus próprios alimentos, neste caso o seu próprio pão. Precisando assim dos moinhos para ai poderem triturar o milho que cultivavam nos campos, obtendo deste modo a farinha para depois poderem cozer em grandes fornos de lenha o seu próprio sustento.

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