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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vamos novamente jonguer as vacas


Já decorreu mais de um ano desde a última vez que abordamos o assunto de “jonguer as vacas”. O Objectivo, desferido por alguns dos nos nossos leitores, era que fosse lançado um assunto e que os visitantes através da sua própria experiência, ou de informação recolhida junto de terceiros, pudessem ir prestando informações sobre os

utensílios, os termos os costumes, etc.
No final faríamos uma compilação, e ficaríamos com um rico dicionário de usos e costumes da nossa magnifica terra.
FICA O DESAFIO, VAMOS AGARRA-LO COM AFINCO

Na altura, um dos nossos fiéis leitores enviou-me um texto para que eu fizesse dele o que quisesse. Pois bem, vou publica-lo, mantendo o anonimato a seu pedido.

“Vamos jungir as vacas

O homem, através dos tempos, tendo em vista a sua própria sobrevivência, teve necessidade de, abater e domar os animais que melhor o serviam, daí que, nas nossas paragens, foram as vacas – serranas ou autóctones - as domesticadas, as quais são utilizadas como força motriz pelos agricultores, nos trabalhos do campo e seus serviços associados.

Estes animais, tem para o lavrador, além de ser mais dócil, um outro factor, fonte de rendimento, leite, crias e carne. Estes animais, por razões de segurança, a fim de não irem parar à mão do alheio, são guardados nas lojas, divisão da casa a nível do rés-do-chão, ao mesmo tempo que servem de aconchego, base de aquecimento, quer com o seu próprio bafo, quer com a bosta em apodrecimento com os tojos, estrume.
O Sol, desapareceu, caiu a noite, Zé Manel, pai de família, homem da terra, corpulento, de cara redonda, pele morena e cabelo farto, embora já meio grisalho, ao lume , lareira, fala com a sua Maria, uma mulheraça, sobre o seu dia de trabalho, ao mesmo tempo que orienta os filhos para o serviço a realizarem no dia seguinte.
Olhando para o mais velho, enquanto churipitava, bebia um golito do tinto madurão, quer dizer com graduação elevada, pela em fusa, amanhã, juntamente com a tua irmã ides buscar um carro de estrume, tojos, carregas na leira de cima, foi lá onde o teu irmão os roçou. É preciso ter cuidado com os tombadoiros e nunca o fazer muito traseiro. Eu levanto-me mais cedo e desougo, as vacas e aparto os bezerros, cuidado com a vaca preta que ela é arisca, a castanha é da mão direita. Não as piques de frente, a tua irmã que as tenja. Levas a vara de castinheiro, a de marmeleiro fica para as feiras. O apeiro, jugo e chavelha – estão na loja das batatas. O carro, estadulhos e corda estão no quinteiro lado da barra. Antes de sair untas o eixo com pingo e monges a cabana, lava-lhe primeiro o úbre.
Começa a romper o dia, o rapaz, lá deixou as palhas. Sua irmã já o aguarda, junto da loja. Deitadas as vacas fora da corte e emparelhadas que foram, colocadas as corneiras, mulhelhas e jugo, a asela da soga é colocada na parte exterior do jugo, passando pela frente da mulhelha e lado exterior do corno que fica no lado da cabeçalha, passa sobre o jugo e volta pelo mesmo sítio, parte exterior do jugo, seguindo pelo corno cruzando a mesa do jugo até ao corno que fica do lado da cabeçalha, depois de passar sob o mesmo, segue, depois de passar pelo corno, o caminho inverso sendo arrematado no cento do jugo com o respectivo laço. Está assim jungida a primeira vaca, sendo a outra jungida de igual modo como a primeira. De referir que antes de se iniciar, definitivamente, a acção de jungir, uma vaca é imperioso e obrigatório, para efeitos de segurança, amarrar a cabeça da outra vaca para, casos há que se tornam irrequietas e perigosas, dado que ficam soltas.
Jungidas as vacas e apostas ao carro, é colocado sobre o estrado do carro, a forcalha , engaço, ganchos , uns fachucos os quais vão servir para desougar as vacas enquanto se carrega o carro e uma enxada.
Terminada esta tarefa, que demora cerca de dois quartos de hora, lá vão os manos pelo caminho sinuoso e agreste, ele de candeeiro e ela de dama sentada nas chedas.
Agora na leira de cima e já com os tojos juntos, ele arranja o poiso ideal para carregar o carro, tendo em atenção as recomendações dadas pelo dono da casa.
Colocado o carro a direito, supostamente a nível, recorrendo-se da enxada para colocar sob a cabeçalha, foi necessário arranjar uma escora para as chegas. Carro nivelado e vacas a comer a palha, começa o rapaz por deitar as primeiras forcalhadas de tojos ao carro procurando assim fazer o alicerço para a grande carrada já que o rapaz, filho de lavrador que se preza, não quer trazer uma fachina.
Feita a base, alicerço, o rapaz salta para o carro e, forcalhada a forcalhada, colocada ora na esquina, ora no meio, ora na borda, está finalizada a carga, a qual diga-se se passagem é uma grande muleta.
A irmã, mulher já feita a passar as duas décadas de idade, limpa os tornos, e a dianteira do carro de tojos, para que as vacas não sejam incomodadas, com o esfregar da rabada nos tojos.
A lançada a corda e apertado o carro, com a asela de camionista, que a rapriga sabia fazer, dado ter travado conhecimento, namorico, com um da terra, que para agora anda por terras de Belém do Pará e apostas as vacas ao carro, regressam a casa, sem que primeiro, ambos se benzam e implorem as suas preces ao Divino a fim de terem sorte na viagem, embora as vacas sejam corpulentas, valentes e de invejar.
Assim, decorridas duas horas, são chegados ao local de partida, sem que lhe tenha corrido algo de anormal.

De referir que o lavrador, homem com três vacas, três filhos, em fusa , lume, carro das vacas, já era um sonhador para a época.”


domingo, 28 de dezembro de 2008

Moinhos


Geralmente, em todas as aldeias transmontanas existem moinhos. A freguesia de Vila Cova tal como outras freguesias vizinhas não foi excepção. Outrora, estes eram cobertos de colmo e hoje alguns nem sequer têm cobertura, devido ao abandono a que estão expostos. Alguns destes moinhos, falta-lhes também a mó
que porventura andará a servir de adorno nalguma casa particular. Graças a esta pedra, o milho era transformado em farinha para depois se fazer o pão, tão necessário e indispensável para a subsistência das famílias. A freguesia de Vila Cova não foi excepção, e sabe-se que no século XVIII, mais precisamente em 1758, época esta em que temos à frente dos designos da nação o rei D. José I, apelidado de “O Reformador”, sendo o seu reinado fruto do governo do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Ficando este mais precisamente conhecido na história por Marquês de Pombal. Esta freguesia nesta época segundo as Memórias Paroquiais já possui-a seis moinhos. No meio desta aldeia passava um regato com uma ponte de pau e neste mesmo regato havia “6 moinhos para o povo de Villa Cova moer o seu pam, quazi todos são de erdeiros, somente ham dois de maquia”. Quer isto dizer que dos seis moinhos que existiam apenas dois, é que não pertenciam às mesmas famílias visto que os outros passavam de pais para filhos, ou seja eram uma herança. Sabe-se também, segundo fontes orais que posteriormente na aldeia de Mascoselo, aldeia esta que forma com Vila Cova as duas únicas povoações da freguesia de Sam Thiago de Villa Cova, que por volta de 1930 ou mais precisamente há setenta e oito anos foi construído por um morador da aldeia, Sr. António Machado, um pequenino moinho, de dimensões muito reduzidas que daria apenas para remediar a sua própria família. Em suma, a vida dos moradores desta freguesia sempre dependeu da agricultura, da criação de animais, da extracção do ferro, associadas estas actividades à necessidade que o homem sempre teve ao longo da história de confeccionar os seus próprios alimentos, neste caso o seu próprio pão. Precisando assim dos moinhos para ai poderem triturar o milho que cultivavam nos campos, obtendo deste modo a farinha para depois poderem cozer em grandes fornos de lenha o seu próprio sustento.

Igreja paroquial



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A igreja de Vila Cova era do padroado dos religiosos de S. Jerónimo do real convento de Belém, aos quais os moradores da aldeia, na Idade Média, tinham de pagar os seus foros.

Edificada no século XVI, ano de 1570, quando foi criada a Irmandade de Nossa Senhora, é uma igreja aparentemente simples mas que ostenta uma grande riqueza quer interior quer exterior.
É uma igreja com uma só nave e de planta rectangular, que resulta da ampliação sofrida, por volta do século XVIII, de uma pequena capela existente no centro da aldeia, pela assimilação de parte da igreja do Santíssimo Sacramento, situada “a dois tiros de espingarda” fora da povoação conforme relatos da época, presumivelmente no lugar que actualmente é conhecido por “Leira da Igreja”, ficando esta a ser a igreja da terra, mais tarde Igreja Matriz.
Este processo de ampliação consiste na assimilação por da capela a que chamavam de Santo António, aproveitando a capela – mor onde se encontrava o altar – mor com pinturas sobre tábua representando a vida de Santo António, dos elementos transladados da igreja do Santíssimo Sacramento. A parte central deste altar é da época maneirista, séc. XVI, mantendo a sua traça original à qual são acrescentadas as partes laterais, estas do século XVIII, da época barroca.
Dentro da igreja existem ainda mais dois altares do período barroco, um dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e outro dedicado a Nossa Senhora de Fátima.
Na parte exterior da igreja podemos lhe apreciar um lindo nicho onde se encontra a imagem de Santo Tiago, feita em pedra. Este conserva alguns dos seus atributos tais como: a concha e a espada, que terá a ver com o caminho feito pelos peregrinos para São Tiago de Compostela, uma vez que esta era uma das vias que levava o peregrino a S. Tiago de Compostela.
Ainda na parte exterior, é de destacar uma escadaria em cantaria que dá acesso ao coro e à torre sineira.

História






Vila Cova,

é uma freguesia muito antiga e pode supor-se ter sido fundada no período Pré-Romano durante as invasões dos Bárbaros. É do conhecimento geral que existe, ainda hoje, em Vila Cova, um lugar chamado Alto do Sião que resultará da evolução do nome pessoal de origem Germânica, que corresponde, pensamos, ao território ocupado por um antigo castro de nome Siloni, provavelmente em honra de algum Rei Bárbaro, quiçá um rei das Astúrias que viveu no séc. VIII. Essa designação ter-se-á perdido aquando do repovoamento e consequente deslocação para a actual Vila Cova ou “vila entre montes”. O rei D. Dinis ter-lhe-á dado foral no séc. XIII, tendo as suas casas e foros sido entregues aos frades da ordem de S. Gerónimo a quem os moradores de S. Thiago de Villa Cova tinham de pagar os foros que eram colectados por uma pessoa da terra, nomeadamente, o Morgado António Botelho Guedes do Amaral, pessoa de alta nobreza e detentor de vasto património. A esta ordem religiosa foram ainda entregues entre outras propriedades importantes, o Convento dos Jerónimos de Lisboa.

Facto ainda de realçar na história desta freguesia é o de que em 1570 estava anexa à de S. Miguel da Pena, pertenceu ao concelho de Ermêlo até à sua extinção por decreto de 31 de Dezembro de 1835, em 1840 aparece anexa à de Quintã, fixando-se, finalmente a Vila Real.



Mascoselo,

Conta-se que partiram de Louredo oito pessoas em direcção ao Alto do Velão. Lá chegadas sentaram-se para descansar e para decidir em que direcção seguir. Consta que uns queriam seguir para o lado de Pardelhas e outros para o lado de Vila Cova. Para ultrapassar o impasse decidiram dividir-se seguindo quatro para um lado e quatro para o outro. Os que seguiram em direcção a Vila Cova, passando por aquele lugar de Mascoselo, gostaram tanto que resolveram ficar por lá.

Este é um pequenino resumo de uma historia que se conta por lá, e que poderá ter a ver com a fundação de Mascoselo ou, pelo menos, com o seu crescimento e a sua ligação a Vila Cova. Os Morgados de Vila Cova, senhores de grandes domínios, também em Louredo, quiseram, no inicio do século XVIII, concentra-los para melhor “proveito”. Não admira, pois, que o único moinho que lá encontramos fosse um não muito antigo moinho em ruínas, disfarçado debaixo de umas “eradeiras” e desconhecido para a maioria das pessoas, construído pelo Sr. António Machado por volta de 1930, como nos conta a sua filha, a Sra. Donzília Machado.

Segundo um relato de 1758 da autoria do Vigário Padre Pedro Leite, “… havia naquele lugar de “Mascutelo” uma capela da devoção da Senhora do Rosário, bem ornada. A dita capela está situada no meio do povo…”. Lamentavelmente agora nada “...bem ornada…” uma vez que está transformada em palheiro e as suas imagens espalhadas sabe-se lá por onde, ainda se pode ver, bem no meio do povo sobre a “padieira” da porta uma inscrição com a data de 1721 ? , data que coincide com o período em que os Morgados de Vila Cova vincularam os bens que possuíam nas freguesias de Campeã e Louredo “para tudo andar junto aos dois vínculos…”.


Festas de Vila Cova 2015